Madrugada fria, chuvosa. Inquieta, ela não conseguia pegar no sono. Ela estava pensando nele. Ao mesmo tempo em que ela sorria, ela chorava. Ao mesmo tempo em que ela o amava, ela o odiava. Ela olhava a chuva pela janela do seu quarto e, chorando, ela contava cada gota que caía. Ela sabia que não seria fácil. Desde que ela percebeu que o amava ela sabia que iria ficar assim. Tudo sombrio, vazio. As horas passavam e a chuva não parava de cair. Ela continua ali pois perdera totalmente o sono. Tentava apenas achar uma solução. Uma solução para todos os seus problemas, algo que acabasse com a distância que fazia da sua vida um inferno. Mas não conseguia. Não conseguia compreender mais nada. Pensava apenas na hipótese de perdê-lo, e ela sabia que caso isso acontecesse sua vida ficaria pior. Com frio, pegara um cobertor que estava jogado ao seu lado. Medo, medo da perda. Medo da dor outra vez. Porque ela já tivera outras dores, mas essa seria maior. Perdê-lo seria o pior que poderia acontecer. Mesmo estando tão longe dela, ela se importava com ele. Se doía vê-lo tão longe assim? Sim, doía.
        E doía muito, mas não era por isso que teria que acabar, Não é a pela dor da distância, pela dor de não poder abraçá-lo que ele teria que sair da sua vida. E ali continuava até amanhecer. Pensando nele, em como tudo seria diferente caso ele estivesse ali ao seu lado, abraçando-a e a beijando. Pensando que talvez ela poderia o proteger de qualquer mal que o rondasse. Porque no fundo, ela se importava mais com ele, do que com si própria.

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